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A mulher do viajante no tempo - Audrey Niffenegger

2 de agosto de 2012

A Mulher do Viajante no Tempo 
Audrey Niffenegger
Editora Suma de Letras
450 páginas
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Henry sofre de um distúrbio genético raro. De tempos em tempos, seu relógio biológico dá uma guinada para frente ou para trás, e ele se vê viajando no tempo, levado a momentos emocionalmente importantes de sua vida tanto no passado quanto no futuro. Causados por acontecimentos estressantes, os deslocamentos são imprevisíveis e Henry é incapaz de controlá-los. A cada viagem, ele tem uma idade diferente e precisa se readaptar mais uma vez à própria vida. E Clare, para quem o tempo passa normalmente, tem de aprender a conviver com a ausência de Henry e com o caráter inusitado de sua relação.

 Li esse livro já há algumas semanas, mas até agora não sei o que "dizer" para vocês sobre ele. Eu sei que eu queria ter encontrado (e pegado autógrafo e tirado foto) com a Audrey depois de tê-lo lido, simplesmente porque eu olharia para ela com olhos de quem olha para uma ídola. Mas eu fiz tudo isso antes. Audrey escreve de um jeito emocionante, engraçado, sarcástico, inteligente. Natural. 

Eu imaginava que a história seria muito baseada na Clare e eu tinha medo de que isso tornasse as coisas um tanto quanto chatas. Afinal, por que eu iria querer saber da Clare enquanto o Henry estava vivendo a ação? Mas não, Clare e Henry dividem muito bem o protagonismo do livro. E não é como se a adrenalina ficasse só por conta do viajante no tempo, Clare também tem sua dose. 

Henry é um cara com um passado, traumas de família, orgulhoso de ter participado do movimento punk. E Clare o conhece de trás para frente. Quando ele tem por volta de 40 anos, e Clare 6, eles começam a se encontrar (não pensem em pedofilia, por favor, ele fica a ajudando com o dever de casa e esse tipo de coisa). E sobre Clare, não há jeito, ela nunca teve muita escolha, ela cresceu encontrando com Henry de tempos em tempos e a vida dela mudou completamente por causa dele. Quem ela se tornou como mulher tem a ver com ele. E ela ainda tem os seus próprios traumas de família. 

Um bibliotecário e uma artista plástica. Um bibliotecário que você sempre pode encontrar surrando um cara qualquer em algum beco por aí. Isso é a cara de Henry. Ele é estourado demais e sempre se mete nas maiores confusões por surgir de repente - pelado - em qualquer lugar que seja. E falando em pelado, Henry passa acho que 40% da história nesse estado. Quase sempre é bem engraçado. Adorei a Clare, adorei o Henry e adorei o casal. E o casal de amigos, Charisse e Gomez, também são personagens muito completos e há toda uma relação complicada entre os quatro. 

Emoção, emoção, emoção. Gargalhei, suspirei e chorei (lenços, por favor) lendo A Mulher do Viajante no Tempo. E eu já havia visto o filme quando li e em nada diminuiu as emoções. Obviamente o livro é melhor e eu sempre me lembro da expressão de "não me pergunte sobre isso" da Audrey quando perguntaram a ela sobre o filme na Bienal do Rio do ano passado. Realmente, a cara dela não está lá. 

Acho que, mesmo a história sendo original e muito boa, o destaque do livro é a escrita da autora. Esse é o tipo de livro do qual escorre inteligência - sem ser nem um pouco difícil de entender - e cultura - sem ser nem um pouco chato. E sempre tem alguma coisa para nos deixar roendo as unhas e/ou com o cabelo em pé. Mais um querido absoluto, sem nada para tirar e nem por. Recomendadíssimo. Não viva muito tempo mais sem ler esse livro. 

Beijos, 
Celle.
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