Caminhos de Sangue - Dustlands #1
Moira Young
Editora Intrínseca
352 páginas
Caminhos de Sangue conta a história de Saba, uma menina de 18 anos que mora em Lagoa da Prata com seu irmão gêmeo - Lugh -, sua irmã menor - Emmi - e seu pai. Lagoa da Prata praticamente não merece mais esse nome. O que era uma lagoa está mais para uma poça no meio do deserto. Nada mais se planta, não há água, não há comida. Quando teria sido a última vez que chovera? Mas o pai de Saba parece mais preocupado em ler as estrelas. Ele acredita que tudo está escrito lá no céu: passado, presente, futuro. Mas Lugh não, Lugh acha que isso é loucura. Morar ali é loucura.
Mas isso se torna bem menos importante no dia em que cavaleiros de mantos negros aparecem por trás de uma cortina de fumaça vermelha e levam Lugh. E é depois disso que Saba parte atrás de seu irmão. Como fizera a vida toda.
A história é narrada em primeira pessoa pela própria Saba e a garota é uma ótima narradora. Ela fala em frases curtas e objetivas. Bem pausadas e que causam emoção. Logo no primeiro parágrafo do livro a gente percebe que o livro é escrito de modo que se leia como a Saba fala. Como, por exemplo:
"Você tá seno ridícula, ele fala."
E isso não me incomodou. Não há nenhum indicação irritante de que isso está errado, as coisas apenas são escritas assim. E outra característica bastante peculiar desse livro: não há nenhum tipo de marcação indicando diálogos. Nenhum travessão ou aspas. Nada. Apenas alguns ",falei" ou ",ele disse" no meio das frases. Eu achava que eu fosse me perder no meio da leitura por causa disso. Mas não. De alguma forma, esse livro é escrito de um modo que eu não me senti perdida entre narrações e diálogos em nenhum momento. Pelo contrário, a coisa funcionou como se eu tivesse a Saba do meu lado me contando a história dela e deixou o ritmo do livro ainda mais acelerado.
E por falar em ritmo, Caminhos de Sangue é muito rápido. É ação o tempo todo e sempre tem alguma coisa acontecendo, mas sem encher a nossa cabeça. Eu fiquei enfeitiçada durante os três dias que levei para lê-lo.
O livro é mais uma distopia, porém não é apenas mais uma distopia. Realmente lembra Jogos Vorazes por ser uma distopia, a personagem principal ser uma lutadora e é muito Girl Power. Mas só isso. Saba descobre ser muito mais do que imaginava - como qualquer um pode prever -, mas continua sendo mal-humorada, teimosa e irritante. Adorei a Saba. Ela é muito corajosa, inteligente e cheia de garra, mas odeia admitir qualquer fraqueza. Chega a ser bastante engraçado em alguns momentos. Especialmente com um certo Jack.
Jack e ainda outros personagens também aparecem com o decorrer da história. Todos muito completos e cativantes. E que personagem Jack é. Instigante, curioso, sarcástico. Um maravilhoso mocinho.
O único ponto um pouco estranho é a adoração de Saba por seu irmão Lugh. Eu cheguei a nutrir um pequeno desprezo por ele só porque a Saba fica o tempo todo dizendo como seus olhos são azuis como o céu em um dia de verão. Ah, por favor, Saba, ele é seu irmão. Cadê aquela implicância saudável entre irmãos? Às vezes parecia que ela estava apaixonada por ele. Ainda assim é muito legal acompanhar o amadurecimento dela. Ela se descobrindo.
O livro está super recomendado. Não perca tempo e leia logo.
Beijos,

