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[RESENHA] Easy - Tammara Webber

16 de janeiro de 2015

Easy 
Tammara Webber
Editora Verus
305 páginas
2013



Eu queria Easy desde que o vi na Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 2013 porque eu não só li como também adorei ler Belo Desastre. E queria experimentar Easy porque estavam comparando ao meu romance problemático favorito.

Jacqueline foi para faculdade. Mas ela não foi para a faculdade que tinha mais a ver com ela, ela foi para a melhor faculdade para o seu namorado. Jacqueline já começa assim sua história: sendo burrinha. Mas o livro tem sua sinopse perdoada porque as cenas das primeiras páginas já são bastante agitadas. Mas o que acontece é que seu namorado perfeito acaba terminando com ela e Jacqueline se vê quase sem amigos, estudando na faculdade que ela nem queria, longe de casa e de coração partido. Pobrezinha.

Um rapaz misterioso, porém, aparece na vida dela como um herói. E eles acabam se envolvendo, bem aos poucos, com encontros mudos e trocas de olhares. O nome dele é Lucas e ele parece estar em todos os lugares. Ao mesmo tempo, Jacqueline se complica em uma matéria e começa uma troca de e-mails com o monitor dessa disciplina que vai se tornando cada vez mais pessoal. Até que ela acaba enrolada entre dois rapazes. Sem ter nada real com nenhum deles (ainda).

Mas a ação toda se encontra entre ela e um colega de faculdade que é, digamos, um porco doente que acha que pode agarrar e fazer o que quiser com mulheres mais fisicamente fracas que ele. Infelizmente, estamos falando de estupro, um dos crimes mais horrorosos que existem. Jacqueline conseguiu escapar dele por muito pouco e precisa superar esse trauma e fazer o máximo para se manter segura porque o sujeito continua estudando com ela como se nada houvesse acontecido. Apenas Jacqueline e seu salvador sabem sobre o que aconteceu.

Easy, na minha opinião, não é tão bom quanto Belo Desastre, mas o estilo realmente é parecido. O romance é intenso e misterioso, o medo do homem que a atacou acelera o coração e o passado dos personagens ainda acrescenta um toque de drama. Eu realmente gosto de romances assim e fiquei totalmente envolvida com esse. Jacqueline depois que cai em si e percebe a besteira que fez ao seguir seu namorado para faculdade, não parece mais uma menina tapada, a ideia de seu namoro perfeito a havia deixada ingênua demais e ela acaba se mostrando uma mulher forte e inteligente.

Então, é isso, Easy entrou para a lista dos recomendados. Podem aproveitar :)




Rostinho Bonito - Mary Hogan

11 de janeiro de 2015

Rostinho Bonito
Mary Hogan
Editora Galera Record
240 páginas
2011



Hayley é uma adolescente de Los Angeles - Califórnia que não se dá bem com seu próprio corpo. Ela se acha gorda e não suporta isso. Hayley vive em uma guerra contra a balança, sua mãe e contra as pessoas que falam como ela tem um "rostinho bonito", como se nas entrelinhas houvesse um "uma pena que é gorda". A mãe dela não é uma pessoa ruim, só se preocupa muito com a filha e não age em relação ao corpo dela da maneira mais correta, enfiando a dieta do tofu goela abaixo de toda família. 

Hayley quase não come mais por prazer ou para simplesmente matar a fome, ela come para diminuir suas angústias, tristezas, inseguranças... como se a comida pudesse ajudar a resolver seus problemas. Com seus amigos, ela se esconde atrás de piadas e tenta conquistá-los sempre com seu humor. Ela tem uma paixonite por um menino do colégio, mas isso também não corre como ela esperava. Resumindo, Hayley não está feliz.

De repente, não mais que de repente, os pais de Hayley surgem com a notícia que ela pode passar suas férias de verão na Itália! Hayley vai para casa de uma grande amiga de sua mãe da época da faculdade.

Rostinho Bonito é um livro bem gostosinho de ler porque sua personagem principal é cativante, sua história é interessante e especialmente porque a viagem de Hayley para a cidade de Assis (uma cidade pequena próxima de Roma, onde viveu São Francisco de Assis) é uma delícia e é exatamente o tipo de viagem que eu mais gosto. Uma viagem com calma, aos poucos, aproveitando o lugar, as pessoas, as comidas, os costumes. Em Assis, Hayley muda seu estilo de sentir o tempo, de passar seus dias e sua opinião sobre si mesma. E um novo romance chega para somar em sua fase de maior auto-estima, longe da cultura ao corpo de Los Angeles.

O livro é rápido, cheio de sensações e trata de maneira leve um problema sério que prejudica vários jovens: uma vontade descontrolada e compulsiva de comer para disfarçar as emoções.

Rostinho Bonito está muito bem recomendado.




Vaclav e Lena - Haley Tanner

3 de novembro de 2012

Vaclav e Lena
Haley Tanner
Editora Intrínseca
277 páginas


"Vaclav & Lena parecem destinados um ao outro. Eles se encontram pela primeira vez aos 6 anos, numa aula de inglês para imigrantes em Brighton Beach, no Brooklyn. Vaclav é precoce e falante. Lena, com dificuldade no idioma, refugia-se na segurança de sua adoração por ela. Ele imagina a história dos dois se desenrolando como em um conto de fadas. No entanto, uma das muitas verdades a serem descobertas nessa extraordinária obra de estreia de Haley Tanner é que "felizes para sempre" nunca é um desfecho garantido". Fonte: Vaclav e Lena.


Vaclav quer ser mágico. Ele se imagina mágico, ele se prepara para sê-lo, ele é metódico e acredita, do fundo do seu coração, que será o próximo Houdini. Melhor ainda: ele será Vaclav, o Magnifico. Esse sonho, é claro, não é para um garoto desacompanhado. Por que sem assistente não existe o mágico, e a assistente de Vaclav é Linda Lena, sua amiga de infância, sua companheira inseparável. Ela também acredita, talvez não pelos mesmos motivos, mas Vaclav é tudo que Lena tem, então ela quer fazer parte, ela quer ser, e quer ser com ele. É inocente e puro, é infantil e doce, é, até então uma história de amor para crianças. De crianças. Tanto faz.

Vaclav e Lena são russos, mas moram nos Estados Unidos desde pequenos. Lena desde menor ainda, por que veio ainda bebê para o país, sem os pais, e não sabe muito sobre o que era dela antes de morar com uma mulher que chamava de avó. Depois do falecimento da senhora, Lena passou a morar com a tia, uma mulher estranha e vulgar, que tem um trabalho nada respeitável e que deixa em pé os cabelos de Rasia, a tradicional mãe de Vaclav. Esta é uma mãe amorosa, adorável, que faz o que pode pela família e pela pequena Lena, largada na vida pela tia estranha. Seu coração se aperta ao  ver a situação da menina e ela tenta ajudar, mas não sabe muito bem o que fazer.

Lena tem dificuldades com o inglês e por isso não tem outros amigos além de Vaclav, mesmo na escola para imigrantes onde eles estudam. Vaclav não tem o mesmo problema, mas Lena é sua melhor amiga e ele faz qualquer coisa por ela, por que tem certeza que eles vão ficar juntos pra sempre. Na mente dele isso é claro feito água, e é um pouco cruel ver Lena  se aproveitando disso. É coisa de criança, mas ai que dó. Ai meu coração.

Admito que neste ponto eu já estava completamente tocada pelo livro. Tenho um tombo por estas histórias de amor que começam na infância, tenho um ponto fraco no meu coração pra amores que se prometem desde sempre. Me julgue, se quiser. De todo modo, Vaclav e Lena são separados pelo destino. Rasia, sentindo falta da garota depois de um breve sumiço, vai até a casa onde ela mora e encontra algo que a faz chamar a polícia. Rasia não explica a Vaclav o que aconteceu e, durante anos, Lena vira tabu na casa do menino. Só o que ele sabe é que Lena foi levada pelos policiais, e que sente a falta da amiga. E por mais que saiba que ela foi embora, ainda sim, toda noite ele lhe diz boa-noite e espera que ela esteja bem. E quando finalmente se encontram a verdade que Vaclav descobre é uma surpresa, e não conta tanto com o final feliz que ele esperava.

Preciso dizer aqui, no entanto, que eu de primeira achei o livro lento, por que passei uma boa parte dele esperando que os personagens crescessem logo.  Eu li na orelha que se passariam sete anos em algum momento e imaginei que a história deles só se desenvolveria de verdade a partir daí. Não cometa esse erro. Aproveite as páginas do começo, aproveite a história de Vaclav e Lena crianças, felizes, fazendo mágicas e vivendo de sonhos e esperanças. É a maior parte do livro e se você prestar a atenção que o livro merece, você também vai aproveitar. Eu me envolvi logo depois, então o dano não foi tão grande. Mas estou te dando a dica. Deixe o livro rolar no seu ritmo. Como eu disse, é uma história de amor que vem da infância. É uma coisa doce.

Enfim, Vaclav e Lena é uma história de amor - e ao mesmo tempo não é. Eu não consigo explicar, apenas tem (bem) mais ali do que umas linhas sobre o amor - o amor homem-e-mulher, eu quero dizer. Tem todo tipo de amor e toca em tantas coisas e faz você pensar e aperta o seu coração tão forte que faz você suspirar. Eu adorei. E recomendo, sim. É um daqueles romances que eu estava esperando pra tocar meu coração. E, mesmo que todo o romance aqui esteja no desenvolvimento da coisa e não neles dois de verdade, eu me apaixonei por cada pedacinho de Vaclav e Lena. Vou guardar no meu coração essa leitura, o desfecho que eu não esperava, as surpresas, as palavras perfeitas, sua escrita especial, com cada palavra se encaixando direitinho. E eu acho particularmente interessante falar sobre como ficou ainda mais bem colocado na ultima parte, quando eles já estão mais velhos. Daí pra frente, todo o texto era lindo e bem escrito, como se amadurasse junto com o pensamento deles, bem encaixado, orquestrado pra tocar meu coração. Adorei, adorei, adorei. Espero que vocês também gostem!

Beijo, beijo,
Thai.

Um Lugar para Ficar - Deb Caletti

22 de setembro de 2012

Um Lugar para Ficar
Um Lugar para Ficar
Stay
Deb Caletti
272 páginas
Editora Novo Conceito

Sempre que vou ler um livro que eu já sei que tem um conteúdo mais pesado ou triste, eu tento me preparar  um pouco e escolher um bom momento. Então eu já começo o livro preparada para as várias situações terríveis que podem acontecer com os personagens. E, claro, quando decidi ler Um Lugar para Ficar, que falava sobre um relacionamento abusivo, eu me preparei dessa mesma forma. 

O livro se passa em dois momentos, um no passado e outro no presente, com capítulos intercalados. Em um deles, Clara está conhecendo Christian. O relacionamento deles é incrível, intenso e diferente de tudo que Clara já viveu. Com o tempo, Christian passa a ter um comportamento estranho e passamos a observar o relacionamento deles desse modo. Em outro, Clara está se mudando para um lugar novo com seu pai. Eu não posso deixar de dizer o quanto o pai de Clara é incrível, foi o personagem que eu mais gostei. Ele é ótimo! 

O relacionamento de Christian e Clara foi realmente o ponto alto do livro para mim, o que me conquistou. Até o momento que esse livro foi lançado, eu não tinha lido nada nem ouvido falar de nenhum livro que trouxesse um casal cheio de problemas graves. (Eu já vi muitas pessoas falando que Belo Desastre e 50 Tons de Cinza são assim, mas com uma abordagem diferente). O fato é que relacionamentos abusivos são pouco abordados, mas acho que podem estar muito mais perto do que imaginamos. Afinal, não são apenas agressões que configuram um relacionamento não-saudável, mas várias outras atitudes, que muitas vezes são facilmente perdoadas. A dificuldade de Clara de aceitar que estava realmente passando por um problema é natural. Pode ser irritante? Claro. Mas era só eu me colocar no lugar da personagem que eu entendia mais suas atitudes. 

Como vocês sabem, o livro tem um outro momento, com a mudança de Clara e seu pai. O fato da história ser intercalada traz um ar mais leve ao livro. Clara conhece pessoas novas, tenta mudar de vida. Toda a minha preparação para um livro pesado e muito triste não foi necessária no final, pois a autora soube dosar bem. Eu imaginei que o livro seria super triste, desses que nem final feliz tem como existir, mas estava errada. 

Um tema que eu gostei muito, uma vida nova e um ritmo que me prendeu. Gostei da leitura de Um Lugar para Ficar, mas não amei. Eu não tive muita conexão com a Clara e acho que foi isso que faltou. Mas, mesmo assim, é uma leitura que acho que vale a pena. Passar por esse problema com a Clara foi uma experiência super diferente e garanto que o livro traz outras surpresas para vocês. Espero que quem se interessou dê uma chance a ele. 

beijos
Julia

Momento comparação nada a ver: Enquanto eu escrevia a resenha desse livro, eu me lembrei de Garotas de Vidro, que fala sobre distúrbios alimentares. Eu falei a mesma coisa sobre os dois livros: abordam um problema grave, próximo e que quase ninguém discute. Os dois não tem muito em comum, mas Garotas de Vidro é outro livro que acho que deve ser lido por ser tão diferente dos YA's que acho que são mais famosos. E, caso interesse, eu gostei mais de Garotas de Vidro ;) 
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