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Fantasma - Roger Hobbs

22 de setembro de 2014


Fantasma 
Roger Hobbs
Editora Intrínseca 
336 páginas
2014




Jack é o nome mais próximo de ser o nome do nosso personagem principal. Seu nome de verdade, jamais saberemos. Mas a graça está toda aí. Jack trabalha como um Fantasma.

Muito bom no que faz, participa de crimes de elite, é o responsável por fazer tudo desaparecer. Provas, evidências, os criminosos, a si mesmo. Tudo pode sumir se você souber o que faz.

Jack conta duas histórias durante o livro: uma no presente, quando recebe uma mensagem de Marcus, um velho conhecido a quem deve "um favor", e uma no passado, quando participou de um assalto ao cofre de altíssima segurança de um banco em Kuala Lumpur, na Malásia. A história do presente recebe maior destaque no livro, mas eu achei a do passado bem melhor. Afinal, Jack havia estragado tudo e, na primeira metade do livro, a única coisa que me deixava curiosa era isso: o que Jack havia feito de tão errado para toda a equipe terminar presa exceto ele e sua mentora.

A promessa da história é bem interessante. Um homem sem digitais que conhece todos os truques para se misturar na multidão, sumir no mundo e se tornar outra pessoa. Assalto a bancos e cassinos planejados com um ano de antecedência. Esse tipo de coisa. Mas eu não me apeguei a nenhum personagem e nenhuma cena me causou algum tipo especial de emoção. Talvez as cenas com um pouco de tortura. Mas senti falta de alguém por quem eu me preocupasse.

Em algum momento achei que as coisas melhoraram. Acho que até sei o por quê. Foi a maior presença de uma agente policial. Acredito que a presença dela tanto tenha tornado Jack um pouco mais humano como tenha criado um mistério na história. Até onde ela seria capaz de descobrir e o que faria com isso? E, por outro lado, até onde Jack a estava enrolando e até onde a estava ajudando? No fim, os objetivos do Fantasma ficam misteriosos e o livro fica mais interessante por isso. Mas, ainda assim, ele não me agradou tanto quanto eu esperava.




Paperboy - Pete Dexter

28 de outubro de 2013

PaperboyPaperboy
Pete Dexter
Editora Novo Conceito
336 páginas
2013




Hillary Van Wetter foi preso pelo homicídio de um xerife sem escrúpulos e está, agora, aguardando no corredor da morte. Enquanto espera pela sentença final, Van Wetter recebe cartas da atraente Charlotte Bless, que está determinada a libertá-lo para que eles possam se casar. Bless tentará provar a inocência de Wetter conquistando o apoio de dois repórteres investigativos de um jornal de Miami: o ambicioso Yardley Acheman e o ingênuo e obsessivo Ward James. As provas contra Wetter são inconsistentes e os escritores estão confiantes de que, se conseguirem expor Wetter como vítima de uma justiça caipira e racista, sua história será aclamada no mundo jornalístico. No entanto, histórias mal contadas e fatos falsificados levarão Jack James, o irmão mais novo de Ward, a fazer uma investigação por conta própria. Uma investigação que dará conta de um mundo que se sustenta sobre mentiras e segredos torpes.

Paperboy foi uma leitura bem estranha. Acho que essa é uma boa forma de definir.

Lá pela metade do livro, eu percebi que eu não gostava de nenhum dos personagens. Os defeitos deles eram gritantes demais e me irritavam tanto que eu não conseguia simpatizar - ou  torcer - por ninguém. (Os Van Wetter e o Yardley eram os piores). Se eles se ferrassem muito, eu não ligava pra eles ou pra como eles sairiam da situação, porque para mim, eles simplesmente não eram gostáveis. Os irmãos Ward eram os que se salvavam na situação, mas no fundo eu não gostava deles de verdade. Era um sentimento de menos pior, na verdade.

Outra coisa que eu não gostei e chamou bastante atenção foi o modo que ele é escrito. Ele não é dividido em capítulos. A divisão no livro é feita com um espaço maior entre um parágrafo e outro (como encontramos em muitos livros) com um quadradinho no espaço marcando a mudança da cena. E, embora não tenha capítulos, o livro é repleto dessas pequenas marcações, então cada parte é muito pequena, tendo umas três páginas ou até mesmo apenas dois parágrafos. Eu demorei bastante para me acostumar com o estilo de narrativa, porque parecia que nada me prendia e as coisas aconteciam muito rápido. Quando acontecia algo que eu achava que merecia explicação e desenvolvimento, a cena já mudava, a parte que eu gostei acabava e ninguém nunca mais tocava no assunto. Era meio frustante.

Mesmo com meu problema com a ausência de capítulos e os personagens, Paperboy foi um livro que eu li rápido. Acho que as cenas eram bem curtas, eu estava tentando me entender com a história e os personagens e realmente queria saber no que tudo ia dar, então foi um livro que me prendeu pela curiosidade. A história é interessante também, mas eu não consegui me entregar para ela. Não chegou a ser uma leitura arrastada, que eu tenha resolvido largar ou nada. Só não era o meu tipo de livro, acho.  Não vou falar que me arrependo de ter lido, de jeito nenhum, mas não pretendo ler de novo.

Então, por fim, eu não vou falar que recomendo Paperboy, mas acho que quem se interessou pela sinopse  e acha que não vai se importar com o que eu não gostei, deveria dar uma chance. É um livro bem diferente de tudo que eu já li, praticamente em tudo: a história, a ambientação, os personagens e a narrativa. Acho que valeu a pena para conhecer mesmo. Só que não é compatível com o que eu gosto. Simples assim.

Beijos.


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