O Filho de Netuno
"Son of Neptune"
Rick Riordan
Intrínseca
O Filho de Netuno é o segundo volume da série Heróis do Olimpo, e é um livro bem nos moldes antigos e deliciosos de Percy Jackson. É ótimo. Admito que depois de Herói Perdido eu estava com um pouco de pé atrás com a coisa da narração compartilhada, nova mania do Rick, por que Percy é um personagem querido, que nós já conhecemos muito bem e os personagens tendem a ficar menos intensos com essa coisa de um a cada tantos capítulos... Mas deu certo. Aliás, deu mais que certo, foi lindo; ganhamos de volta nossa comédia e nossas risadas e nosso herói preferido – agora acompanhado de dois amigos quase tão adoráveis quanto ele. Acho que algo em torno da presença de Percy no livro deixa tudo melhor – ou isso é por que eu o adoro, e pronto.
Nessa aventura, Percy realiza sua missão com dois amigos que são apenas isso, amigos, a quem ele rapidamente ama como a uma família. Eu achei uma mudança muito legal, uma vez que na série Percy Jackson propriamente, Percy, apesar de ter seus mil e um amigos, agia sozinho. Ele tinha Annabeth, é claro, mas não é exatamente a mesma coisa, já que eles tinham aquela dinâmica de vão-ficar-juntos-pra-sempre desde o primeiro momento. E Grover, bem, também não. Era aquela coisa do melhor-amigo-bode-que-foi-protetor. Já Frank e Hazel, os personagens principais dessa aventura ao lado de Percy, foram bem apresentados e embasados, e só fazem crescer no decorrer da história. Eles são bons amigos, corajosos, prontos pra dar a vida pelo motivo certo e fazem sentido mesmo sem o Percy. Eu associei essas características ao acampamento romano, que, desculpas, desculpas, conquistou mil vezes meu coração, mas devemos dar os louros a ambos sim, por que eles são uns lindos e acompanhar os capítulos pelo ponto de vista deles também foi ótimo. E isso faz a união deles ainda mais legal, eu acho. Eles são personagens independentes, e isso faz a união deles ainda mais válida.
Frank é engraçado e sincero, e parece-se muito com Percy em um aspecto ou outro. Hazel, particularmente, foi uma boa surpresa, uma vez que não gosto muito de como o Rick constrói suas personagens femininas, como ele costuma justificar suas ações ou expor seus pensamentos. Digo isso, é claro, por causa da Piper de Herói Perdido e Sadie das Crônicas dos Kane, que me irritam horrores com o comportamento egoísta, mimado e previsível. Hazel, a mais nova das três, é madura, responsável e sabe manter o controle – de sí e dos outros. A mais nova, a mais frágil e a que caminha de cabeça erguida para uma missão suicida – ainda sim, a que mantém os garotos unidos e até os consola, vez em sempre. Como não adorar?
A aventura é boa e, como sempre, corrida; Percy, Frank e Hazel tem apenas quatro dias pra ir até o Alasca, matar um gigante, recuperar uma águia, não morrer, e voltar. Vemos algumas carinhas conhecidas sob novos ângulos, temos relances das histórias antigas, pequenos mistérios que se quebram aqui e ali. Rick tem a maestria de encaixar suas histórias em pontos que nem nós nem sabíamos que precisavam de conexão, incorporando o mundo romano ao grego e unindo os heróis em suas batalhas, mesmo que eles não percebam. Particularmente, acho isso genial.
A história, apesar de fazer parte de uma série, termina, concluindo - e muito bem - a missão que é apresentada. Mas nunca foi tão claro o gancho para o próximo livro, e nunca ficou tão no ar o cenas do próximo capítulo no final do livro. Rick, mais uma vez, está nos torturando. O Marca de Atena, próximo livro da série, promete mil e uma surpresas
Enfim, corra pela sua vida e vá ler esse ótimo livro da série, por que Percy está de volta e trouxe muito mais mistério, muito mais perguntas, mais aventura e muitas, muitas risadas. Acompanhe o nosso filho de
Beijo, beijo,
Thai.


